NATAL – SAUDADES E AUSÊNCIAS

Débora Böttcher Lessa
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Tudo o que tenho de apetrechos de Natal está nessas  fotos: pequenos enfeites e um pisca-pisca – mais a saudade de tempos em que a “noite feliz” se dava em nossa casa e montávamos uma árvore enorme!

Saudade também dos filhos que jantavam com a mãe e sempre se atrasavam – o que gerava impaciência em nós e nos filhos que esperavam e queriam tempo pra se ver e conversar. Mais tempo antes de todos se sentirem muito cansados e, com o passar dos anos, das crianças cansarem…

Saudade da nossa bassetzinha Brinny – que amava o Natal por causa das guloseimas. Teve um ano que deixei dois lombos prontinhos sobre a mesa da copa e saí cinco minutos pra ir à padaria, que era na esquina, buscar os fios de ovos encomendados; na volta, um lombo tinha “desaparecido”. Ela era muito arisca. Caos e correria pra encontrar outro lombo às cinco e meia da tarde… O que nunca soubemos foi se ela comeu sozinha ou o dividiu com nossa outra Basset, Sandy, que era sua mãe. Passamos a noite monitorando-a com medo de que ela passasse mal, mas qual o que: deve ter sido seu melhor Natal! A ironia da vida foi ela ter morrido, muitos anos depois, exatamente na tarde do dia 24 de Dezembro. 2015 foi um dos meus Natais mais tristes…

No ano em que os netos gêmeos nasceram, o Natal passou pra casa de seus pais. Dali pra frente, foi intercalando entre a casa dos dois filhos casados. E assim tem sido, agregando famílias de genro e nora, mas sem os outros dois filhos, que hoje vivem nos EUA. Quando dá, a gente dá um “oi” rápido pelas telas, mas a algazarra não permite mais botar o papo em dia nessa noite. Sem tempo – e paciência – agora…

O tempo passa, cada um tem seu destino. Para os mais velhos, vai ficando a memória. Daqui a alguns anos, quando possivelmente não estaremos mais aqui, os Natais serão nas casas dos netos e suas famílias, no ciclo interminável da vida – e nós seremos só uma lembrança borrada de Natais antigos…

Pra mim, que sou ateia, o Natal não tem nenhum significado religioso, senão o da paz e dos afetos entre os que amamos. Como meu pai, que também não acreditava em nenhum deus, o que amo é a festa, a confraria dos “meus” – e pra isso não é necessário ter “um Jesus”, que é um símbolo muito bonito e que respeito, mas a fé é um território muito individual.

De minha parte, nesse ano tão caótico e de prováveis Natais pelas telas para muitos que não vão se arriscar a botar nove meses de confinamento a perder, só posso desejar que, na medida do possível, seja uma noite realmente feliz, apesar de tudo: do tempo, das ausências, das memórias, das saudades sem fim… Que venha o Natal! 🎄😉

 

Débora Böttcher Lessa

Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Escrevinhando.

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