O EROTISMO DA NOVA MULHER, BRUNA LOMBARDI

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Bruna_LombardiA atriz Bruna Lombardi causou alvoroço ao postar uma foto sexy. Aos 63 anos, Bruna, que também é produtora e escritora, continua símbolo de beleza e simpatia. Com mais de um milhão se seguidores nas redes sociais, suas postagens falam de bem-estar e alto astral – a foto sedutora também continha a mensagem de aumentar a auto-estima das mulheres, segundo revelou em entrevista ao UOL.

Nossa equipe se lembrou então de um texto escrito pela autora em Setembro de 2013.

Ela, que tem um livro repleto de poesias que exaltam delicadamente a sensualidade, nos brinda com esse ensaio, que está em sua página no FB, e que reproduzimos aqui para te inspirar.


O EROTISMO DA NOVA MULHER

Sempre escrevi sobre o desejo, a sensualidade, o erotismo como a forma mais libertária da existência. Aquela que não obedece lei nem censura, mas cria a sua própria escala de valores. O sexo como chave da liberdade.

Quando publiquei meu terceiro livro de poesia, O Perigo do Dragão, VEJA me pôs na capa. O tema do desejo da mulher foi tratado de forma elegante e inovadora numa reportagem que se baseava na poética feminina, partindo do meu trabalho e cobrindo um arco que ia de Adélia Prado a Alice Ruiz.

Esse livro fez e faz muito sucesso até hoje nas redes sociais talvez porque o erotismo da mulher continue o mesmo. Mas muita coisa mudou. Inclusive as mulheres.

Na época, me surpreendi muito com a extraordinária repercussão de um simples livro de poesias, que foi cultuado por pessoas muito diversas – do poeta Paulo Leminski, que publicou uma resenha na própria VEJA (“Bruna continua praticando uma espécie de humor irritado, que é sua marca – herança talvez de vovô Carlos Drummond de Andrade, cuja poesia ela parece ter frequentado com prazer e proveito. Esse humor irritado está a serviço de uma ‘mulheridade’ assumida ostensivamente, que é muito melhor que qualquer postura política”), ao dono das Organizações GLOBO, o jornalista Roberto Marinho, que assinou uma crítica sobre O Perigo do Dragão em seu jornal. Foi um marco para a poesia, para as mulheres e para mim. Mesmo que eu já tivesse sido capa de centenas de revistas, dessa vez o significado era outro. A revista mais influente do país dava destaque para a mais clandestina das artes. E a mais íntima.

Hoje a poesia está de volta com força, há muita gente novamente interessada em versos bonitos (uma antologia de Paulo Leminski, Toda Poesia, está nos primeiros lugares entre os mais vendidos). E o sexo anda livre e solto em qualquer lugar. O que antes as mulheres confidenciavam, hoje é exposto abertamente. Centenas de livros sobre o assunto rodam por aí, zilhões de sites pornô se espalham na internet, há uma sex shop em cada esquina, mulheres trocam de par como quem troca de roupa e nas baladas ficam com vários parceiros. E se alguém criticar esse excesso, saiba que tudo isso é muito melhor do que a repressão.

Enfim, a liberdade chegou. E com ela sentimentos contraditórios. Nunca se viu tanto vestido de noiva, tanta busca de príncipe encantado, tanto romantismo confuso, tanta oferta, tanto desejo, tanta solidão. Impossível generalizar as mulheres – existem todas. Impossível criar um comportamento padrão para a era da diversidade de comportamentos. Para alguns nunca houve tanta vulgaridade; para outros, essa livre mulher continua submissa e só mudaram as regras.

Seja como for, a sensualidade sussurra, não grita. O erotismo atravessou civilizações e é uma grande arte. A arte do sexo permeia a história da humanidade, cria mitos através dos tempos. Culturas antigas deixaram legados, com seus mistérios e rituais. Preservar seus requintes deveria ser um bem sagrado como os segredos das sacerdotisas. Práticas orientais existem para tentar ensinar e relembrar pessoas a respeito de uma sabedoria que possivelmente faria do mundo um lugar pacífico e encantado.

Muito desse conhecimento foi perdido desde a destruição da biblioteca da Alexandria até todas as fogueiras da Inquisição. O poder tem medo. Pessoas felizes não são facilmente dominadas.

Hoje, nossa sociedade é pragmática e essencialmente consumista. Consumir sexo pode ser mecânico como qualquer outra compra. Mesmo que divirta e entretenha, mesmo que distraia e iluda. Há homens e mulheres consumindo sexo. Em algum momento nos fizeram acreditar que estávamos comprando felicidade. Quando na verdade, a felicidade é que é a moeda definitiva.

Tenho falado de felicidade no meu trabalho porque acredito nela. E acredito que o sexo está intrinsecamente ligado a ela, assim como está intrinsecamente ligado à nossa emoção.Dizem que os homens fazem sexo e as mulheres, amor – brinco com isso. Pode até acontecer o contrário. Mas às vezes esses paradigmas são quebrados e se misturam e aí sim, acontece o novo.

No momento estou filmando Amor em Sampa e minha personagem, Aniz, tem um encontro de puro sexo. Meu novo livro de poesia, ainda inédito, chama-se Clímax, título de um poema que descreve orgasmos múltiplos. Isso mostra que o tema da minha capa em VEJA não foi pontual, mas acompanha minha vida e meu trabalho.

O que me atrai no sexo não tem nada a ver com o consumo. Tem a ver com um ser humano melhor. Mais feliz. Tem o desejo de lembrar cada um de nós que viver apaixonadamente faz uma enorme diferença. Que ser movido a toda espécie de amor é uma atitude transformadora. Tem a ver com a frase do Ghandi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Fazer sexo é muito bom. Fazer sexo com amor é o nirvana. E, ao contrário do que reza a lenda, ele permite a entrada no paraíso.

Bruna Lombardi  | 20/09/2013


Em breve, nos cinemas, Amor em Sampa, filme produzido pela atriz e o marido, Carlos Alberto Ricelli.

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