MOMMY – MÃES

Débora Böttcher Lessa

Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.
Débora Böttcher Lessa

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Mommy-by-xavier-dolan-cannes-posterNa semana do Dia das Mães, a relação entre mães e filhos é a pauta. O Fantástico discutiu, em Maio de 2015, sobre um tratamento de choque para crianças e adolescentes indisciplinados – um tipo de regime militar que vem sendo aplicado há cerca de quinze anos em acampamentos nos EUA para tentar mudar o comportamento de meninos e meninas que, na visão dos pais, estão fora de controle. Na enquete rápida, algo em torno de 80% dos brasileiros poderia optar por enviar seus filhos para um lugar assim. Para ver a matéria clique aqui.

MOMMY, o filme canadense, sucesso de crítica em Cannes em 2014, conta a história de Diane, “Die” Després – a atriz Anne Dorval -, uma jovem mãe viúva que tenta lidar com o comportamento irascível do filho adolescente, Steve (Antoine Pilon). Surpreendida com a notícia de que Steve, de 15 anos, foi expulso do reformatório por ter incendiado a cafeteria local – o que provocou queimaduras de terceiro grau em um colega -, eles voltam a viver juntos.

A trama se passa em um Canadá fictício, onde uma lei permite que pais desesperados com o comportamento de seus filhos problemáticos, possam interná-los aos cuidados do Estado. Pelo que pesquisei, essa é uma ficção sobre a lei S-14, que efetivamente vem sendo discutida no País e trata exatamente disso: de abdicar da guarda de filhos que são perigosos para si e a sociedade em favor do Governo – e abdicar aqui significa para sempre, tendo um período de apenas 24 horas após o recolhimento do filho para mudar de ideia; depois disso, não são permitidas nem visitas, apenas contato telefônico.

Beautiful-BoyNo filme, o relacionamento entre mãe e filho é retratado com detalhes que se enredam na contradição dos sentimentos – as esperanças, os medos, o amor incondicional, as frustrações de uma mãe (qualquer mãe) -, ante as escolhas para educar, controlar e proteger um filho – inclusive de si mesmo. A história é pautada pela instabilidade psicológica do menino, que abriga uma personalidade violenta e totalmente imprevisível. No caos que se instala, é curioso perceber como as pessoas se movimentam (e sobrevivem), até com algum humor, tentando organizar a desordem e atentar-se às ocorrências cotidianas e urgentes – que vão desde arrumar um emprego até ir ao supermercado.

KevinA questão passa por muitos questionamentos até a decisão final e acho que sempre será impossível julgar os critérios que levam a uma ou outra deliberação – e para qualquer uma delas, será necessária uma coragem sobre-humana. O que acontece nesse enredo, entretanto, é surpreendente e me levou a pensar em outros dois filmes que recomendo: “Precisamos Falar Sobre Kevin” – com Tilda Swinton e John C Reilly -, e “Tarde Demais” – com Maria Bello e Michael Sheen. Ambos retratam mães (e pais) que não conseguem enxergar seus filhos com a realidade necessária.


Débora Böttcher Lessa

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Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.

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