MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS

Débora Böttcher Lessa

Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.
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Gustav Klint
Gustav Klint

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ ideia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.

Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ – prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas mães alheias, nas amigas mães.

Antes, um adendo: é verdade que, alguém que lê a doçura que estará embutida nesse texto, vai pensar nas mães que jogam seus bebês em latas de lixo, os abandonam pela estrada, naquelas que os renegam, nas que, por temperamento difícil (próprio e/ou dos filhos) mantém relações distantes. Mas mesmo a essas dou o benefício da dúvida e/ou da loucura: para algumas mulheres, lidar com a maternidade pode ser algo acima de suas limitações emocionais.

Assim, quase – e o ‘quase’ aqui novamente é por conta de que nenhuma generalização procede – todas elas são pessoas encantadas e encaixam-se com perfeição na metáfora da poeta Cecília Meireles: aprender com as primaveras a deixar-se cortar e voltar sempre inteira.

Mães são aqueles seres que nos conhecem profundamente: nos atormentam e salvam. Sabem, através de um rápido olhar, se estamos bem ou se algo está errado; identificam no nosso tom de voz a melancolia e a alegria e são capazes de sentir nossas sensações a quilômetros de distância.

Mães são os personagens que traduzem, literalmente, o significado de amor incondicional: AMAM – contudo, todavia, portanto, além e apesar de. São a irradiação profunda do sentimento supremo, do aconchego, daquele tipo de paz e segurança que moram em nossa memória infantil e que, não raro, tentamos resgatar para a busca do equilíbrio cotidiano.

Mães têm humildade, esperanças, paciência, sabedoria, compaixão. São virtuosas, algumas vezes excêntricas, eventualmente exageradas. Entendem de perdão como ninguém e o praticam por antecipação. Suas lembranças são sempre vívidas e dentro delas somos eternas crianças.

Mães, curiosamente, guardam muitos segredos e um poder de superação que resiste ao revés com coragem e determinação imbatíveis – pois detêm uma força que elas próprias, muitas vezes, desconhecem.

Mães são senhoras da beleza de um jeito especial e único. Mulheres puras na imperfeição – porque têm, em primeira mão, a remissão do que chamam divino. Afinal, são Mães – as nossas.

E a elas nossa gratidão, o respeito, todo amor. Todos os dias.


Originalmente, escrito em Maio/2010


Débora Böttcher Lessa

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Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.

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