KEVIN CARTER | MIL VEZES BOA NOITE

Débora Böttcher Lessa

Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.
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Kevin_CarterSempre admirei os fotógrafos. Eles são aqueles que contam a história através de imagens – e os fotógrafos de guerra acho que são uma categoria à parte.

Outro dia, deparei-me com comentários sobre Kevin Carter, o autor da polêmica foto de uma criança faminta no Sudão, em 1993. Dizem que ele se suicidou, aos 33 anos (em 1994), por causa dessa imagem – não pela imagem em si, o que poderia até ser motivo, mas da carga que ela acarretou para sua vida.

O filme “Mil vezes boa noite”, em que Juliette Binoche é uma fotógrafa de guerra, retrata a clara realidade desses profissionais, que não tem como fazer muito pelas pessoas que estão no fogo cruzado das guerras que acompanham – alias, como sabemos, uma imagem retrata infinitamente com mais fidelidade o que efetivamente se passa do que um relato, e essa é a função deles: levar ao mundo a realidade.

É possível que no caso de Kevin Carter talvez (só talvez) ele pudesse ter carregado a criança em questão, mas não dá pra dizer com exatidão. O que se tem certeza que ele fez, foi espantar o abutre após ter feito a foto – que provavelmente esperava a criança morrer para atacar. No meio da guerra, você também pode morrer, mesmo estando a trabalho. E é por causa de pessoas como Kevin Carter que a gente sabe tanto do que acontece no mundo.

Quem gostar do tema, assista a esse filme, feito pelo cineasta Erick Poppe, que também já foi fotógrafo de guerra – no filme, inclusive, tem várias fotos dele desse tempo – e ali ele tenta mostrar o que efetivamente acontece com os sentimentos, a extrema batalha interna desses que escolhem essa que pode ser bastante arriscada profissão, o embate diário que enfrentam por causa do medo, mas também do orgulho que têm de fazer tal trabalho. Os dez minutos iniciais, em absoluto silêncio, contam muito – assim como a cena final, em que fica claro que um fotógrafo não tem como mudar a história que conta, por mais horrível que ela seja.

Quanto a imagem de Kevin Carter, é um retrato puro do horror. Mas o que são as guerras, afinal, senão um horror infinito?

Débora Böttcher Lessa

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Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.

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