HÁ VIDA DEPOIS DO DIVÓRCIO - Portal Estilo 40

HÁ VIDA DEPOIS DO DIVÓRCIO

Débora Böttcher Lessa

Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.
Débora Böttcher Lessa

Últimos posts por Débora Böttcher Lessa (exibir todos)

Não é incomum: muitas mulheres separam-se depois dos 40, quando os filhos já estão maiores e a vida em comum tão desgastada que só se almeja uma ‘nova vida’. Naturalmente, eu também sou a favor da felicidade e se ela está embrenhada numa relação que não mais acrescenta, é válido procurar outros meios para a plenitude. Mas não se pode deixar de ter em mente que é um processo árduo, mesmo que a decisão seja sua – e que pode ser pior quando a decisão é do parceiro. A sensação de fracasso e perda incomoda bastante.

Assim, se você está a passar por uma separação, há erros que convém evitar – se puder. Nesse processo, todo mundo tem um conselho sobre o que  se deve fazer – mas e o que não deve? Vamos listar algumas ideias – que podem ou não se encaixar no que você espera desse período, mas vale considerar…

1. Não pense que a vida acabou – Todos os sites femininos e de auto-ajuda, além de psicólogos, são unânimes: Tudo está a começar! Quer tenha descoberto que o seu Dirceu mantinha um grandioso caso com aquela Marília e ainda não se tenha recomposto do choque, ou tenha percebido de repente que não dava mais para manter um casamento que não a satisfazia, a verdade é só uma: será uma oportunidade para começar uma vida novinha em folha (ou quase…). Tudo bem: já não se tem 19, até pode já não se ter 39, nem 49, mas começar começa-se em qualquer idade. A questão é ponderar, sem pressa, o que realmente se quer para a vida dali pra frente.

2. Não arranje logo um namorado novo – É verdade que essas coisas não acontecem quando nós queremos, mas não ceda à pressão de amigos bem-intencionados que a aconselham a arranjar rapidamente outra pessoa que a ajude a ‘esquecer’. Não só não vai esquecer como o mais provável é que se dê os seguintes acontecimentos: a) Arranjará um clone do seu ex e verá o filme todo outra vez; b) Arranjará alguém completamente diferente do seu ex e passará o tempo a pensar ‘Fulano, não era nada assim’ – pro bem e pro mal; c) Não conseguirá apaixonar-se pelo pretendente – ainda que teoricamente seja uma excelente pessoa; d) De qualquer maneira, passaria o tempo todo a compará-lo com o  seu ex – o que não é bom para ninguém e arruína qualquer relação. Se arranjar alguém, não vá logo à procura do grande amor da sua vida, e considere que, provavelmente, essa será uma pessoa ‘de transição’.

3. Não prolongue demasiadamente o luto – Comece uma vida limpa, sem perder tempo com recriminações e discussões. Se não for mesmo preciso, não alivie sua tensão com intermináveis ações judiciais. Isto não quer dizer que negue a raiva – pelo contrário. É preciso senti-la, mas não alimentá-la interminavelmente. Concentre-se em você – e não no outro. Tire algum tempo para tratar de si mesma, para se mimar, fazer coisas que antes desejava e não fazia. Inscreva-se num curso, faça amigos novos, vá passear – e esqueça as vinganças. Se você tem filhos, não os use contra o ex; também não lhe fure os pneus do carro, não lhe empate a vida  e, acima de tudo, não alimente a esperança de que tudo pode recomeçar e voltar ao que era antes. Pode acontecer, mas é raro. Portanto, acabou, acabou. Siga em frente.

4. Não abandone os amigos – Não se afaste das pessoas que mais ama precisamente quando mais precisa delas. Rodeie-se de gente que acha que você é linda e fantástica, procure as almas mais otimistas e deixe-se contagiar, reaprenda o prazer de dar uma boa gargalhada. Desabafe as suas angústias, mas faça tudo para não se tornar a chata obsessiva que fala, fala, fala e não ouve nada. E não coloque os amigos contra a parede – ou estás comigo ou estás com ele -, pois isso pode ser especialmente constrangedor para as amizades comuns, que prezam o casal. E se sentir que tem mesmo muito para desabafar, procure ajuda especializada.

5. Não se deixe intimidar – Quem sabe da sua vida é você. Esqueça os deprimidos e pessimistas que lhe dizem “Eu bem te avisei que ele era um canalha, mas nunca acreditaste”, e fuja a sete pés da família que não perde uma ocasião de lhe comunicar que tomou uma péssima decisão, que é uma pessoa muito egoísta e que só pensa em si própria. Curiosamente, há quem inveje quem se divorciou. Pode parecer estranho, mas é verdade. Quem mantém com sacrifício um casamento que morreu há muito, pode aproveitar a situação de mártir e criticar quem não faz o mesmo. Ignore. Responda qualquer coisa como “Percebo que essa fosse a melhor solução para você, mas para mim não funcionou” e não deixe que se metam na sua vida.

6. Não se vitimize – Uma das mais importantes lições que se aprende com o divórcio é que se é mais forte do que se  pensa. Assim, cuidado para não se deixar aprisionar no papel de vítima – que é muitíssimo viciante: as pessoas carentes são como buracos negros que sugam toda a energia das outras, e você pode ver-se sem apoio num momento em que mais precisa dos outros.  Não fique amarga – procure atividades que lhe deem prazer, vá ao cinema, dê atenção aos outros, procure coisas que goste de fazer.

7. Não se esqueça de comer bem – Em quase todos os processos de divórcio há alterações de apetite: há quem emagreça 10 quilos, há quem desate a comer chocolate. É difícil controlar o sistema nervoso, mas tente não deixar que isso a afete de maneira drástica: vá à academia, faça meditação, invista numa massagem, ou encontre a sua forma de descontrair: fazer tricot? Passear ao ar livre? Pintar? Cozinhar? Ouvir música à luz das velas? Jogar no computador? Ler um livro? O importante é ir no seu próprio ritmo: esqueça quem lhe diz que devia fazer isto ou aquilo. Aceite sugestões, mas faça o que  sentir vontade. Se possível, tente não comer um tablete de chocolate inteiro de uma vez, várias vezes…

8. Não mude radicalmente de visual – Agora é que é: agora é que vai ser a loura platinada que sempre sonhou! E vestir aquele vestido vermelho colante tipo Jessica Rabbit! E sair à rua com os olhos pintados de verde-colibri! Tudo bem que a mudança de visual até pode ajudar a começar uma nova vida, especialmente se, como é comum acontecer, tiver perdido peso. Mas não vá com demasiada sede ao pote! Naquela de ‘vou ficar tão linda que ele se vai arrepender mil vezes de me ter trocado’, cometem-se erros fatais. Faça umas ‘nuances’, umas ‘luzes’, uns ‘brilhos’, um novo corte – mas saiba quando parar. Acima de tudo, é importante perceber que não é o olhar dos outros que a define, e que o fato de estar divorciada só quer dizer que aquela relação não funcionou, não que você deixou de ser uma pessoa fantástica.

9. Não culpe todo o sexo masculino – Está bem, o sacana do ex fez-lhe as maiores patifarias, mas isso não quer dizer que todos os homens sejam assim. Ter amigos homens nesta altura do campeonato pode ajudá-la a perceber, entre outras coisas, que você não deixou de ser atraente.

10. Não faça o exercício do ‘se’ – Esse é um dos piores movimentos que se pode fazer: pensar que se tivesse feito isso ou aquilo, tudo seria diferente. Esqueça: o que está feito não tem mais como remediar e, acredite, foi o melhor que você e o outro podiam ter feito com as circunstâncias que tinham.

11. Não alimente a ilusão do melhor com ele Muitas vezes, ao se sentir sozinha pode-lhe ocorrer que mesmo uma relação ruim é melhor do que a solidão e/ou a sensação de desamparo. Isso acontece porque quando a gente sofre, tende a só se lembrar dos bons momentos da relação, esquecendo tudo o que nos levou à ruptura. Assim, tente não perder de vista os reais motivos da sua decisão – ou da decisão do ex -, e foque-se no futuro.

12. Não perca o pé no trabalho – Uma das mais graves consequências de um divórcio mal resolvido é que o stress pode afetar de maneira drástica o dia-a-dia profissional. Não estamos concentradas, não conseguimos pensar em mais nada, damos por nós de dez em dez minutos com lágrimas nos olhos, mas, em resumo, trabalhar salva-nos de nos afundarmos em dor o tempo todo. Muitas vezes, entretanto, o trabalho é o último lugar onde se quer estar. Portanto, se achar que a pressão é muita para o momento, tente negociar uns dias de pausa e vá arejar. Se não puder e o peso da dor lhe parecer insuportável, não demore para procurar ajuda profissional.

Por fim, tenha em mente que toda separação é dolorosa, mas que, como tudo na vida, isso também passa.

Um beijo! 😉


Fontes: Experiência Pessoal | Divorce Papers | Psicologia.com | Activa (Portugal)

Débora Böttcher Lessa

Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.

Troque ideias conosco!