BELEZA: INDÚSTRIA IMPLACÁVEL

Débora Böttcher Lessa

Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.
Débora Böttcher Lessa

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A modelo Gisele Bündchen se aposentou das passarelas, em grande estilo, na SP Fashion Week de 2015. O que mais se comentou naqueles dias foi sua boa decisão de sair de cena no auge. Mas ela continuou – e continua – aparecendo muito – não podemos esquecer que ela é empresária e filantropa, aspirante a atriz e cheia de contratos publicitários. E, como previsto, ainda desfila em ocasiões especiais.

Não sei quais foram as razões reais da modelo para essa parada, mas o que desejo abordar é como a indústria da beleza é implacável: ela nos dita qual a cor mais bonita dos olhos, o formato de corpo ideal, a roupa que nos cai bem – e o corpo que cai bem nas roupas -, a maquiagem perfeita, as nuances das unhas – e quem não se enquadra nesses padrões, absurdamente ditados, muitas vezes não se acha bonita.

A frase icônica de Vinícius de Moraes – “Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental.” -, sempre me soou uma grosseria – que me perdoe o poeta.

A beleza não tem padrão: no mundo todo ela é subjetiva. A ciência divulga que o modelo de beleza é insustentável em si mesmo. A simetria e a estética são termos que são tratados quando se deseja definir o que é beleza e o modelo de beleza varia de acordo com os períodos da historia humana.

O conceito de beleza entre os gregos e romanos era um assunto que se tratava com amplidão e precisão. Os povos antigos tinham uma definição parecida à pregada em nossos tempos, porém os cânones de beleza eram diferentes com relação ao que pensamos sobre a beleza na atualidade.

 

As perspectivas são diferentes dependendo do tempo e do meio onde se vive. Num país da África os padrões de beleza são totalmente distintos dos padrões que regem a beleza na Finlândia. As mulheres americanas tem uma beleza divergente da das brasileiras, assim como das asiáticas, das indianas, das europeias, das índias. A seu modo e cultura, todas elas são belas. Uma mulher de olhos negros pode ser espetacularmente mais bonita que uma de olhos azuis ao meu olhar – mas não ao seu. Uma mulher mais encorpada pode ser infinitamente mais bela que uma esquelética.

Não é raro pessoas que emagrecem demasiadamente e acabam ficando feias, abatidas, sem brilho, parecendo perder até mesmo sua identidade pessoal, além da física.

A astrológa Jomara Araújo, uma amiga que morreu muito jovem, costumava dizer que não se pode envelhecer na magreza excessiva. Ela nos alertava, de muito bom humor, que “as rugas precisam do preenchimento das gordurinhas a fim de manter os vincos da idade menos acentuados.” Eu tinha 20 anos a menos quando ela me aconselhou sobre o assunto e hoje vejo que ela tinha total razão.

O vídeo abaixo, da marca Dove – Escolha Bonita -, nos instiga a pensar um pouco sobre nossa própria beleza.


Por qual porta VOCÊ vai passar?
 
Débora Böttcher Lessa

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Formada em Letras, amante da literatura e de chocolate. Vive um dia de cada vez. Mora em SP. Trabalha com arte visual, mídias sociais e mkt. Não tem filhos. Vive com o marido e Maya, uma labradora cor de cacau, e Luna, uma labradora black. Também administra Babel Cultural.

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